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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Meu dia bem-humorado

descanço


Hoje nada vai me preocupar
Nada irá tirar o frescor do que é acordar de bom humor
Peço ao caos que fique distante, pois se vier o mando longe
Não quero transito nem farol fechado, vou andar por aí com os pés descalços

Hoje eu quero cantar alto, espantar o mau-olhado
Rimo com qualquer palavra, rio de qualquer piada
Não estou nem aí, quero pernas pro alto

Então só peço uma coisa
Deixe-me curtir o meu dia bem-humorado

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Imperfeito amor

A vida inteira esteve a aguardar a vinda de seu grande amor. A ele daria seu coração bem cuidado, seria a companheira perfeita e lhe entregaria sua preservada pureza.
Para tantos ela não deu chance, já que não poderiam ser dignos daquela sublime harmonia. Ansiava a magistral beleza, do que seria o dia da mais linda alegria que haveria de existir. Seu príncipe que tardava chegaria, e lhe mostraria o quanto valia a pena, o quanto a felicidade aguardada poderia ser entregue multiplicada.
E ficou a esperar, prestando atenção a cada pretendente, e a cada conversa despretensiosa, a cada olhar de relance que trocasse com algum qualquer na rua.
 Desenhara muito bem seu par Ideal, e ele nem de longe poderia ser qualquer um dos muitos que conheceu, alguns até a convenceram num primeiro momento, mas depois de um tempo tornavam seus defeitos visíveis demais pra que ela pudesse aceitar. Sofria a cada desilusão, e tornava-se ainda mais meticulosa, porque entendia que não poderia mais se envolver com qualquer outro que não fosse seu verdadeiro amor.
Como era triste ver que com o tempo tantas tampas e panelas se encaixavam tão desproporcionais, mas por algum motivo se adaptavam, e mesmo desiguais pareciam moldadas uma a forma da outra.
Aos poucos mudou de ideia, com sua juventude a passar, quando viu que o sonho não poderia ser tão belo, quando entendeu que a vida não era como nos contos, e como nada era definitivo.
Percebeu que mesmo tarde, ainda era tempo de tentar, jogou fora o ideal e preparou-se para encontrar um imperfeito amor, seu par desigual.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Engana-se

Junta a cabeça às mãos, porque sabe que erra
Chora escondido, já que ninguém pode saber
Peca e cala-se, em sua frente não irá admitir
Mantendo a cabeça erguida, segue em linha reta
Sua melancolia é amargada, fingida de um açúcar polvilhado
No alto de um castelo de areia, metade derrubado
Engana-te e engana-se ao te olhar através de um óculos embaçado
Esnoba-te e não credita valor igual, nem soma algo em especial
Seu orgulho bobo e esnobe, sua idiota impressão de um mundo construído a sua volta
Sabe bem que ninguém engana, e sua superioridade não passa de uma vida mimada
Passa por cima de qualquer pedra ao longo de sua caminhada
Mas não percebe seu cadarço desamarrado
O que acontece é que um dia tropeça, e a mão estendida pode ser de alguém um dia desprezado.

domingo, 28 de novembro de 2010

Um instante esperado

Há algum tempo tenho me sentido confusa, muitas coisas pensado e pouco exposto.
Motivos? Não sei bem ao certo. Um tanto por não conseguir me concentrar, um tanto por não saber ao certo o que dizer, como, nem por que.
Não sei o que acontece, momentos ruins até me inspiram e sei que este não é o caso.
Está tudo bem, assim me parece, mas algo em mim não soa como antes.
Devo dizer que muitas vezes tentei escrever algo, e nada me pareceu digno de ser publicado. Inúmeras linhas tortas que não se entrelaçam nem fazem sentido algum.
Estes dias e dias que não pedem passagem, os probleminhas e as faltas de não sei o que. Eu perco o controle e o ritmo que eu deveria manter.
Mas está tudo bem, e não importa o quanto ainda eu tenha que tentar.
Eu só quero estar aqui, sentada neste mesmo sofá. E um dia numa distração qualquer esta pessoa da qual sinto falta, irá voltar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

falsa imagem

psicodelic 
Eu não preciso de ídolos em minha parede
Nem de uma casa cheia pra não me sentir só
Não preciso que me digam como pensar nem agir
Nem de respostas de perguntas que eu não fiz
Alternativas? Também não as preciso
Talvez nenhuma delas seja válida no final
Se eu preciso de algo, é não me enganar
Não precisar de meio abraço
Nem de elogio falso
Só preciso de pensamentos soltos
Nada catalogado
Ou superficial
Essa minha falsa imagem
É tão pouco do que sou e tão pouco do que penso
Se me exponho ou me escondo, não importa
Poucos se importam, poucos querem saber afinal.

domingo, 24 de outubro de 2010

Então tá

Só me faça sorrir, só me faça sentir sua presença como algo bom
Não pese, nem pense ou deixe penso
Se não deixa ser, nada será
Então só deixe estar, aqui do meu lado, com aquele simples e singelo olhar
Gestos de carinho e de espontaneidade
Como naqueles tempos, que meu peito se invadia de felicidade
Não, eu não precisava cobrar, nem apontar seus erros ou te pedir pra mudar
Eu tinha tudo, então tá...
Nessas horas que eu penso se ainda dá pra voltar
No que precisa e o que não pode igual
E me pergunto, se tudo chegou ao final

domingo, 17 de outubro de 2010

Um pensamento aleatório


E que as pausas não me façam parar, pois assim quero levar a vida, de passos e passos devagar. Correr às vezes sim, mas sem me cansar, pra sempre continuar.




E uma música aleatória:

Cazuza - Vida Louca Vida

sábado, 16 de outubro de 2010

Um trecho


"Quando o belo sol revela à terra sua face dourada ou quando, após um rígido inverno, a primavera retorna com sua doce brisa, tudo muda de aspecto na natureza, tudo se rejuvenesce com novas cores."    Erasmo de Rotterdam - Elogio da loucura
Um bom final de semana à todos!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Numa dessas manhãs de domingo


Cedo acordou olhou pela a janela o sol que estava a se abrir. 
Sentiu vontade de aproveitar o dia, tomou seu café, preparou-se pra sair. 
O domingo estava tão iluminado, e um momento de felicidade parecia surgir.
Distraída, estava quase flutuando com a alegria que começou a sentir.

Eis que de repente, tropeça em uma pedra que de cara no chão a faz cair.
Levanta, limpa a poeira pousada e volta o seu caminho a seguir.
Mais adiante um carro passa, jorra água de uma poça em sua roupa, e o que antes era alvo, a sujeira passa a cobrir.

De novo em seu caminho, mas agora de passo largo, afundando o pé com a raiva que estava a sentir.
Anda rápido, quase correndo, agora apressada; pois de sua caminhada haveria de desistir. 
Chega ao lar, passa correndo pela sala e degraus da escada, tinha pressa de subir.

Chega a seu quarto, olha no espelho e vê sua aparência acabada, sua roupa com sujeira impregnada, sente vontade de chorar; e começa a sorrir.
Toma seu banho ligeiro, se veste, desce pela escada agora determinada. Sua caminhada precisava prosseguir.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O que acontece com você?


Nervos abalados, choros, desequilíbrio emocional, o que te falta?
Não consigo entender o que te prende, nem o que te deixa assim.
Já te disse o quanto sinto falta daquele seu sorriso doce e largo. Do seu olhar de sobressalto, um daqueles que me pedem pra sorrir.
Sinto você assim um tanto desmotivado e desorientado, sei que você nunca foi assim.
Se eu pudesse, te daria tudo e você sabe, te faria a pessoa mais feliz.
Mas eu sei, o tanto que tenho pra te dar já não lhe serve, e o que te falta eu não sou capaz de servir.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Meus passos

Cuba Gallery: Urban / Lightroom preset rose vogue / city / umbrella / reflection / walking / rain
Se meu medo for maior que a minha vontade de seguir em frente, então dou um passo pra trás.
Dois passos, ou quantos forem preciso, aprendi que humildade cabe em qualquer lugar.
Eu não vou me envergonhar de voltar, desculpas eu sempre soube pedir, perdão eu sei dar.
Não quero um dia, dona da razão virar. Eu temo errar, mas errando descobri como acertar.
E vou assim, continuo por aqui, vou pra lá e pra cá. E sigo em frente, quando um passo eu souber que posso dar.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

De verdade


Ela há muito vive assim, uma vida de não dever nada a ninguém, explicações nunca dá, não recebe ligações para saber onde ela está.
Hoje ela colocou uma saia curta, saiu na rua alguém olhou, ninguém reclamou. Ela seguiu até o trabalho, bom dia, bom dia, boa tarde, até amanhã!
Volta ela e sua saia, volta ao caminho de casa. Dorme ela numa cama vazia, e acorda como foi dormir. Café, pão na chapa, não precisa dividir. O mesmo caminho e bom dia, bom dia, boa tarde, até amanhã!
Fim de semana mais uma vez, o pão inteiro, um litro de leite que dura um mês. 
Triste? Só se ela quiser, só ela permitir que seja.
Cama vazia não é solidão, opção por vezes não, mas condição. Acostuma ou não?
Planos ela faz, sozinha fazer o que? Mas vive assim, se alguém depois merecer dividir com ela aquele pão, ela divide os planos. Senão ela continua, e triste não precisa ser. Amigos aos montes, família boa, marido, casa, filhos, é bom ter, não digo que não. O caso aqui é outro, felicidade de verdade é interior, concorda comigo ou não?
Estrutura de uma casa o que se vê de fora, um belo palácio, o que está por dentro muitas vezes ruínas. Se ela quer viver assim? ‘De verdade não, muito obrigada’. A cama vazia é limpa, a consciência também. Ela volta ao trabalho, e faz o bom dia e a boa tarde valerem à pena, mistura o trabalho com prazer, e dá certo! A casa abraça, o livro faz viajar, os planos completam, a cerveja alegra... Esportes, poesia, novela, estudos... Não importa o que lhe agradar. Mas vive, e vive de verdade, e quando alguém merecer dividir, que aconteça, aprende a viver junto, mas não esquece de viver um tempo só. Um tempo só seu, ninguém nasce, nem vive a vida sempre junto, descobrir o que lhe dá prazer, é um começo.

Sua vida começa e termina em você!



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Só de Sacanagem

Ana Carolina

Composição: Elisa Lucinda
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
“ - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” - Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!! Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

domingo, 19 de setembro de 2010

Eu tenho sonhos


Eu tenho sonhos
Sonhos de papel colorido
Sonhos de papel picado que voam
Sonhos diversos
Assim eles são
Todos belos
Poéticos e delicados
Desenhados e pintados
Impossível, nenhum
Eu acredito em cada um
Alguns distantes
Outros mais perto
Próximos de serem tocados
Muitos me aproximei
Outros encostei
E de nenhum desistirei

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O balão

Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." (Antoine de Saint-Exupéry)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Longe do meu olhar

Não me contento com um sorriso torto
Olhar afastado
Você distante de mim
Não aceito um aceno cordial
Uma conversa trivial
Beijos no rosto e tchau
Se for assim prefiro não te ver
Pra poder te esquecer
Não que isso eu queira fazer
Lembranças
Memórias
Uma bela história
Não sei se há solução
Mas aqui bate um coração
Amor virando solidão
Páginas a virar
Passos a caminhar
E você assim
Tão longe do meu olhar

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Boba ela


Ela acordada de uma noite mal dormida, com um sono que não sucumbia à tentação do mundo dos sonhos. Passou a noite acordada, o dia todo, milhares de horas pensando, repensando no que devia fazer.
Haveria de por um fim em tudo, em alto e bom som lhe falar o que estava sentindo.
Não, ela não se sentia à vontade em ouvi-lo mais uma vez se desculpar. Não, ela não poderia aceitar por mais uma vez levar a culpa como se tivesse errado, e não ele. Sabia perfeitamente que mais tempo só adiaria o fim inevitável, só tornaria mais difícil o entendimento que era improvável, e depois de tudo ela ficaria ainda mais triste e insegura por não ouvir a voz da razão.
As breves pausas eram suficientemente longas porque a espera era incerta. O simples barulho de motor de um carro qualquer lhe causava tremor. E ela sabia que estes milhares de carros que passavam na rua não eram o dele. Quanto mais pensava, mais sentia que a melhor alternativa era deixá-lo ir, o problema é que ela não teria paz dessa forma, e era justamente isso que ela buscava naquele momento.  Provável que se ela não o procurasse tudo o que houve entre os dois ficaria vago, e tudo que poderia acontecer, não mais seria.
Mil horas a mais, milhares de impulsos em ligar, e ela se controlava. Mas quanto mais conseguiria aguentar?
E num segundo, eis que tudo muda quando ouve algo lá fora, desta vez tinha certeza, não era um barulho qualquer.
Ela sabia do quanto se arrependeria de sua decisão um pouco mais tarde, e o quanto iria se odiar por ser tão fraca.
Por mais uma vez seu coração bobo e machucado era o impulso que lhe direcionava, e naquele momento, de uma coisa ela estava certa, não o deixaria partir.

A diferença

Renove suas ações,
Multiplique boas ideias
Conheça novas formas
Reconsidere as alternativas
Invente maneiras
Ultrapasse barreiras
Alcance o máximo
Pense alto
Adquira conhecimento
Vença o impossível
Abandone a incapacidade
Desprenda os medos
Atraia o novo
Permita a mudança
Deixe o passado
Seja a diferença

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Então fica assim...


Não me conte seus pesares
Eu não exponho os meus defeitos
Não procura entender-me
Eu não lhe cobro explicações
Por mim não seja influenciado
Eu lhe permito que vá
Deixe-me te esquecer
E cada um segue o que pretender

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Verdade, Mentira

 Fernando Pessoa
(Alberto Caeiro)

Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.

PESSOA, Fernando. Ficções do Interlúdio I: Poemas Completos de Alberto Caeiro. Ed. Cia José de Alencar, 1975.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Você aqui


Quero você
Deixa eu tocar tua pele
Deixa que eu te sinta
Quero tanto teu corpo junto ao meu
Minhas lágrimas junto as suas lágrimas
Meu cochicho no teu ouvido
Minha voz, teu entender
Nosso silêncio
Abraço, amor maior
Envolva-me
Olha-me nos olhos
Eu retribuo
Quanto amor
Caminhadas na praia
Fios de cabelo no ar
Dançamos
Quanta felicidade
Você fala meu nome
Recita lindas palavras
E eu só quero assim você, aqui!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A ausência da cor



Parei de sonhar colorido demais, ofuscava minha visão. Tive que me acostumar com tons opacos que misturavam tons cinzas e fracos. O verde fluorescente foi trocado pelo musgo. Enxerguei tudo craquelado e irreparável. O sol foi trocado por um céu completamente cinza e ameaçado por uma grande tempestade. Andei pensando em consertar os meus cacos quebrados, mas as peças faltosas continuavam em falta no final. Muito preto e branco, a minha vida perdeu a cor que me era essencial e fundamental. Meus sonhos foram diretamente prejudicados e alterados. Resolvi pintar objetos com cores alegres, tentar mudar a minha situação, mas este não é o problema, o colorido da minha vida era só a maneira que eu antes enxergava, e por mais forte que uma tinta possa parecer ela não possui poder nenhum sobre o que me ocorreu. Senti vontade de cortar meus pulsos pra manchar esta monotonia, tenho certeza que esta é a minha última alternativa e neste momento a única coisa que eu posso fazer. Mas assim como a cor, toda a coragem e revolta também se foram. Minha força é menor a cada dia que amanhece sem sol, e a cada noite sem luar, o escuro do meu quarto é tudo que eu tenho, e é assim que ele permanece dia após dia, independente de que hora seja. Na verdade não tem a menor importância saber o que marca o relógio, porque tudo fica exatamente igual. Esta daltônica experiência se transforma em cegueira absoluta. Um milhão de anos, horas atrás, vidas passadas, eternidade, me perdi num transe que não sei se haverá fim. Espaços ou vácuos, multidões espalhadas num mundo que eu mal consigo imaginar. E eu só quero sonhar, sentindo o sol me tocar no rosto, só quero ver o pigmento de uma folha caindo de uma árvore alta.
Eu começo a chorar, e choro tanto que penso que nunca mais irei parar, choro por horas, dias, talvez. Eu posso banhar o mundo inteiro com minhas lágrimas, elas demoraram tanto para tomarem forma que mais parece um rio que corre sem pausas. Eu transbordo dentro de mim, eu posso sentir, e num relance em meio a soluços vejo uma fresta de luz na janela e sei que posso sorrir.
Hoje aproveitei o sol e deixei minha alma estendida para secar, tirar o cheiro do mofo e prepará-la para uma nova fase que não tarda a chegar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

É certo que duvido

Xeque-mate, 1949 - Maria Helena Vieira da Silva

Se há algo nesse mundo que eu tenho certeza, é que eu não tenho certeza de muita coisa. Minhas certezas são como quase certezas, são o meio caminho entre o que eu duvido realmente e o que eu quase acredito por completo, são apenas dúvidas que se tornaram um pouco mais confiantes e imunes as descrenças e acusações. A certeza é algo que eu certamente tenho grande dificuldade em entender e explicar, é algo incomparável que quando você a tem, não resta alternativas. A certeza vai ao encontro da dúvida, ou é totalmente contrária. Se a dúvida impulsionou o mundo, foi na certeza que as respostas foram encontradas. As dúvidas são os espaços dos quebra-cabeças que não se completaram ainda, são meus devaneios, minhas buscas por soluções que estão longe de procurar explicações concretas e absolutas daquilo que não aceito ou não compreendo.
Porém não se prova nada sem certeza, ela é o trabalho cumprido, o xeque-mate no xadrez, é quando você descobre que a peça que faltava no jogo precisava ser encaixada no exato lugar que você descobriu quando a obteve. Opostas, contrárias, incompreensíveis ou exatas, sempre haverá dúvidas das quais as certezas substituirá, ou não.

sábado, 31 de julho de 2010

Minhas exigências


Ilustração:John Tenniel (livro Alice no país das maravilhas - Lewis Carroll)

Desejo como todo mundo ser muito feliz, entretanto tem que ser do meu jeito. O prestígio, a glória ou qualquer tipo de bajulação não me farão iludida.
Umas das coisas das quais exijo, é que a partir de agora as minhas escolhas não serão mais decididas pelos outros, pois parte da minha infelicidade disso resulta.
Infelicidade? Será mesmo que sou infeliz? Esta minha infelicidade são breves momentos, por vezes longos demais, geralmente oriundos de frustrações e desentendimentos. Se estes momentos me nomeiam desta forma, então sim, sou realmente infeliz, mas feliz também, as duas coisas ao mesmo tempo, por que não? Outra coisa que exijo neste momento é que minhas esquisitices deverão permanecer as mesmas para sempre, meu equilíbrio só é possível assim, eu não quero mudar isso, apesar dos olhares tortos na rua, apesar dos cochichos maldosos enquanto a minha passagem, e digo mais, o que todos pensam de mim é só um parênteses do que sou, ou posso ser. Quer saber, a partir de agora exijo de mim mesma que nunca mais me importe com os risos alheios, e a cada vez que alguém disser algo pejorativo a meu respeito eu me sinta ainda mais alegre por ser como sou.
Eu não sou confiante, mas esta é outra coisa que exijo de mim, pouca confiança para mim agora é bobagem, eu serei o excesso da mais pura confiança e ainda assim isso não me fará arrogante, porque meus excessos possuirão o tamanho exato e necessário. Que se espalhem os exageros, eu não os irei reprimir, eu darei adeus as pequenices e aos diminutivos, porque a minhas vontades irão transbordar.
Calma aí, pensando bem, será que eu fugi da minha própria exigência agora? Não ser confiante é uma das minhas esquisitices mais evidentes, ser quem eu sou e me orgulhar disso deve ser o ponto alto da minha mudança, e esta mudança é oposta ao que tenho sido até hoje.
Exigências ou não, a partir de agora o que desejo é que por mais que eu mude, e por mais que eu esqueça ou ultrapasse limitações que hoje tenho, meu compromisso é de nunca agir de forma contrária a minha essência, é de não perder a minha humildade e princípios éticos, e jamais me corromper por mais tentador que seja qualquer proposta, mas ainda assim se algum dia eu errar comigo e falhar em relação ao que penso ser correto, eu só espero de verdade é que eu possa aprender com isso.

terça-feira, 4 de maio de 2010



"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."

Charles Chaplin

sexta-feira, 30 de abril de 2010

De um refúgio Nostálgico


Hoje em pleno trânsito, como sempre atrasada, com alguma preocupação na mente, e um sono rotineiro, me encontro em meio a uma lembrança de quando eu era criança. Bateu uma saudadezinha, confesso; de um tempo que já foi há tempos, estes em que minhas preocupações eram: se minha mãe ia reparar no vaso que eu tinha quebrado, se alguém na praia teria derrubado o meu castelo de areia e se quando eu voltasse da escola ainda ia dar tenho de assistir Anos Incríveis. Meus questionamentos eram: de onde vinham os bebês, se o mundo ia até onde eu enxergava e se os barcos caiam onde o mundo acabava.
Maldade eu nem sabia direito o que era, achava que em certo momento a gente escolhia a que lado pertencer, e não entrava na minha cabeça alguém querer ser do mal.
Naquela época eu achava a infância uma merda! “Não”, era a resposta para todas as perguntas. “Não pode”, “não faz isso”, “não mexe aí”, eram as frases que eu sempre ouvia.
Não menosprezo minhas limitações e preocupações da época, até porque geralmente me esqueço, e o que sobra são só os bons momentos, em eu tirava bons cochilos à tarde embrulhada por um edredom quentinho e cheio de mimos de mãe.
Aí quando o stress me invade, eu só tenho vontade de voltar naquele tempo, chegar em casa, sentar no chão e desenhar casinhas com chaminés, acompanhas de um sol sorrindo e nuvenzinhas contornadas de azul.
Provavelmente daqui alguns anos, é do tempo que vivo hoje que sentirei saudades, dessa época dos vinte e poucos anos em que as coisas ainda estão favoráveis esteticamente, a solteirice ainda é alguma vantagem, os meus amigos são os mais legais do mundo e a faculdade necessária para um sucesso profissional.
Por enquanto, eu acho a faculdade um porre, os meus amigos são normais, a solteirice é assustadora e minha estética não agrada.
O que eu desejo é que a vida me proporcione um olhar mais maduro diante dos problemas que eu tiver que enfrentar, que este fluxo da vida me leve pra um lugar seguro, e que não queira me esconder por mais que a vida seja muito mais difícil do que é hoje.
Eu sei, os momentos que vivemos parecem melhores vistos do futuro, é assim que geralmente funcionam as coisas, mas se eu puder mudar o rumo a partir de agora, eu sei que a primeira coisa a fazer é começar a tentar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Me joguei


Tá difícil de entender eu nem vou explicar
Nem vou perder o meu tempo em tentar
Fazer-te compreender
Perceber
Que deveria ter se importado
Pelo menos um pouco, pensado
Deixar acontecer
Envolver
Eu me joguei
Do lugar mais alto e perigoso que busquei
Eu fui longe, tão longe que meus pés se cansaram
Eu fui alto, tão alto que perdi o ar
Não deu pra voltar
O caminho se perdeu
Culpada, sei, fui eu
Eu me perdi
Tive que pular, e ao pular, cai
Tive que aprender a ter coragem
Ao novo dei passagem
E eis que compreendi
Não devo insistir
Deixo que as coisas sejam
Não interrompo, deixo que aconteçam
Fácil? Não é
Um dia talvez, será
Só me resta esperar.

Esvazio


Mais um copo, menos um copo
De dentro pra fora, de fora pra dentro
Esvaziei mais um, me preenchi um pouco mais
Peço outro então
A garrafa secou, meu copo encheu
Esvaziei o copo, enchi minha boca
Esvaziei minha boca, me enchi
Estou farta, preciso esvaziar
Mas o que me faz mal não sai
De dentro pra fora mais uma vez
E o que está dentro não sai
Por que bebi então?
Se eu soubesse...
Minha dor não passa
Outra dor mais forte vem
Eu choro
Esvazio um pouco mais, mas ainda estou cheia
Dormi
Acordei agora, minha cabeça dói, meus olhos estão inchados
O cheiro do álcool continua em mim
A dor continua
O pensamento ainda me pesa
Liguei
Falei
Gritei alto pelo telefone
Fui até lá, bati na porta
Atendeu
Gritei mais
Ouvi
Chorei
Fui embora
Prometi não voltar
No bar:
Mais um copo, menos um copo

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Minha felicidade



Para falar de felicidade preciso esperar um pouco, em certos momentos ela parece fugir do meu alcance, assim como um peixe que se esquiva rapidamente de ser atacado.
Não tenho arpão ou vara de pesca para pegá-la, nem algo que a alimente ou chame atenção.
Aos poucos ela vem surgindo, em momentos inesperados e indecifráveis.
Eu não sei dizer por quanto tempo ela fica presente ou vai embora, assim como também não sei falar dela sem a estar sentindo.
Acho que ela vem logo! devagar, como um barco sem remo em um mar sem ondas.
Não a quero assustar.
Também as vezes chega como uma chuva de verão, que não avisa e se apressa em partir.
Descobri que uma boa isca, é quando consigo deixar os pensamentos livres, porque é o momento exato em que me livro de espaços preenchidos com angústias e apenas vivo.
Estou pronta! Por momentos me esqueço como é, mas depois os códigos ficam fáceis e lógicos. Sei que sou feliz, e o que me faz sentir assim. São esses momentos que a gente não explica, nem sabe como surge, apenas sente.

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