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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Grão de areia

Eu sou um grão de areia, que surgiu em uma praia e a brisa levou pro alto. Quando caí, nada reconheci.
Sou uma andarilha por natureza, mas não tenho pernas para andar, apenas me encosto, me envolvo, me perco por aqui e por ali.
Já entrei em casa alheia, na sola de um sapato velho, e de lá me varreram também. Eu não sei dizer porque, mas não fui aceita no lugar, na verdade nunca fui, por isso não pertenço à lugar nenhum, nem nada me pertence. Conheci asfaltos, pedras, e coisas tão pequeninas que nem nomes as dão, conheci tantos lugares e pessoas, que teria um milhão de estórias para contar, mas ninguém para ouvir, porque nunca alguém ao menos me olhou. Já sofri por isso, até já chorei, mas nem dor, nem sofrimento eu tenho direito de ter, não algo insignificante como eu.
Na verdade, nem direito eu sei o que é, pois nunca tive, nem atitude ou ação por pura vontade. Só vou pra onde me levam, e em muitos lugares que eu quis ficar, mas não pude, e já sabia, porque poder não me cabe, nunca coube ou caberá.
Confesso, às vezes sinto medo de certas coisas, sumir é uma delas, este é um medo que me assombra, morrer sei que não vou, mas me sinto menor a cada dia, fragmentos de mim se perderam com o tempo, e o que sei, é que ninguém nunca ligou para isso, sequer se deram conta, porque a vida das pessoas é assim, agitada, estressante, importante, e muito mais interessante do que coisas simples como eu.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Lua adversa



Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
Fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
No secreto calendário
Que um astrólogo arbitrário
Inventou para meu uso.

E roda a melancolia
Seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém se meu para
No dia de alguém ser meu...
E, quando chega esse dia,
O outro desapareceu...

Cecilia Meireles

O seu santo nome




Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Carlos Drummond de Andrade

Amor é prosa, sexo é poesia


Hoje vou falar um pouco da obra do cineasta, crítico e escritor Arnaldo Jabor. O livro em questão é: Amor é prosa, sexo é poesia, composto por 193 crônicas afetivas e selecionadas escritas pelo autor. O livro é interessante, porque mostra um lado de Jabor diferente do que estamos habituados. Ele que sempre aparece na televisão falando de política, economia, aqui mostra um lado mais sentimental, fala de sexo, amor, família, mulheres.
Não sei se já ouviram aquela música da Rita Lee, Amor e sexo, a letra desta música foi retirada de um artigo do Arnaldo que por sua também a cita nos agradecimentos do livro.

“O amor depende de nosso desejo, o sexo é tomado por ele”.
Arnaldo Jabor.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Uma ponta de Clarice Lispector

Eu estava passeando pelo Youtube e encontrei uma entrevista da escritora Clarice Lispector, esta mulher é realmente sensacional. Se você tiver oportunidade de ler qualquer livro, texto, crônica ou linha escrita por Clarice Lispector, leia! Eu realmente a admiro muito, Clarice umas das minhas escritoras preferidas, e uma grande inspiração.

Assista abaixo a entrevista dividida em 5 partes, confira!

Entrevista Clarice Lispector 1977 - parte 1:



Entrevista Clarice Lispector 1977 - parte 2:



Entrevista Clarice Lispector 1977 - Parte 3:



Entrevista Clarice Lispector 1977 - Parte 4:



Entrevista Clarice Lispector 1977 - Parte 5:

O início da ponta


Eu sou uma ponta, assim como qualquer outra, o início ou o fim de algo. Eu sou uma coisa pontuda, e posso machucar, ferir. Eu geralmente não tenho maldade, mas muitas vezes sou utilizada por que tem intenção de ferir. E penso que estou no lugar errado, eu queria ser o meio, estar no centro das coisas, ser enxergado como algo que é continuidade de outra, que é a ligação, o desenvolver. Eu queria ser um meio, mas não sou, e se eu fosse? Será que eu ia querer ser uma ponta?

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