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sexta-feira, 10 de julho de 2009

O que eu não sei

Não sei diferenciar seis de meia dúzia,
Nem tampouco letra em música,
Não sei amarrar cadarço,
Por isso me embaraço.

Não sei andar direito,
Não sei o que é defeito;
Nem razão
Ou coisas do coração.

Não tenho muito a dizer,
Tento às vezes escrever;
Pouco consigo,
Então não prossigo.

Queixo-me muito sem razão,
Mas me chateia não ter inspiração;
Meu mundo é destruição
O caso é: me falta motivação.

Estou no acaso, mas insisto em mudar as coisas,
Muitas vezes me encontro à-toa;
Conversas vazias
Dão-me azia.

E como minha mãe dizia
Acorde cedo vá ganhar o dia!
Ora quem diria
Acordando agora e já passa do meio-dia.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tropeços


Tropeço um milhão de vezes no mesmo lugar
Peço ajuda a quem não pode me ajudar
Sinto-me dentro de um labirinto sem saída
Com uma bússola que nada indica

O norte nada difere do sul
Nem o céu é mais azul
Me pergunto se devo fugir
Ninguém me impediria de ir

Peço a Deus que multiplique minha esperança
Dizem que depois da chuva vem a bonança
Calmaria em nada me ajudaria
Nem mesmo minha rebeldia

Então fico a aguardar
Sem saber onde isso me levará
Talvez esse seja o ponto
A gente precisa estar pronto.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Eu gosto de generalidades

Ilustração: Studio Edvard Scott

Sim eu gosto de generalidades! Nada sexual, não é isso, mas não que eu tenha preconceito também, pelo contrário, o que quero dizer é que gosto de gostar de várias coisas, de uma coisa e de seu oposto, do específico e do universal, do único e do composto. Gosto de sol e de chuva, de calor e frio, doce e salgado. Não sei gostar do branco sem gostar do preto, do azul, amarelo, verde. Gosto de mãe, de pai, vô, vó, irmãos, carinho, bronca.

Gosto quando as pessoas se importam comigo, mas também não ligo para aquelas que não se importam. Conversas intelectuais me interessam, mas também me interessam as nada inteligentes, ou produtivas. Gosto de cultura inútil, que também são de utilidade, gosto de piada engraçada e as sem graça, que a gente ri sem saber porque.

Cada dia sou uma pessoa, sem deixar de ser eu mesma, ou talvez eu deixe, não sei, porque ninguém é sempre o mesmo, nem se quisesse não seria. E eu gosto disso também, gosto de evolução, mudanças, mas também gosto de tradições, porque muitas são importantes e não deveriam ser perdidas.

Mas enfim a vida é isso, a gente muita vezes também não se encaixa em lugar nenhum, a grande jogada é saber viver sem roteiro, sem rótulos de especificidade, poder rir e chorar, se divertir trabalhando, misturar tudo sem perder a essência, ou então perder e ganhar outra. Afinal o sol também se abre quando há chuva.

Viva as generalidades!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Tempo


imagem: Salvador Dali, A Persistência da Memória (1931)

Como pode o tempo ser tão relativo?

Tempo de descanso é bom, mas passa rápido
Tempo de espera é lento e chato
Tempo namorando é agradável
Tempo brigando é tempo mal empregado
Tempo dormindo é relaxante
Tempo pra acordar é querer 5 minutos a mais
Tempo para construir é trabalhoso
Tempo para destruir é volátil
Tempo com insônia é interminável
Tempo para conquistar é gratificante
Tempo de derrota é frustrante
Tempo investindo é relevante
Tempo com sinceridade é ganho
Tempo com mentira é roubar tempo dos outros
Tempo com guerra é tempo perdido
Tempo de saudade é querer voltar o tempo
Tempo de estudo é investimento
Tempo com preguiça é deixar o tempo passar
Tempo para pensar é querer pausa
Tempo de inveja é estupidez
Tempo de nascer é início
Tempo de morte é despedida
Tempo de vida é o que temos, Aproveite o seu!

Uma Pomba

Em uma manhã eu estava andando pela rua quando me deparei com uma pequena pomba estirada no chão, a pobre tinha a aparência de ainda estar viva, porém não havia mais nem um sopro de vida para dar, este tinha sido o seu triste fim e era definitivo. A imagem daquela pobre não saia da minha cabeça, não sei dizer porque, mas fiquei incomodada com a cena e muitas coisas começaram a passar pela minha cabeça, quem a havia matado, seria a morte dela o resultado de uma brincadeira de garotos, ou teria ela sido atropelada por um carro, uma bicicleta. Pensei também que a causa pudera ser por envenenamento, mas enfim, nada fiz, apenas passei, olhei e fui embora. Na manhã seguinte passei pelo mesmo lugar, e a pomba continuava ali, a olhei por cerca de dois segundos e segui meu caminho. Desta vez a pomba já não possuía a mesma aparência, ela estava no mesmo lugar, porém com centenas de formigas em volta de seu pequeno e frágil corpo. Quando cheguei em meu trabalho, comecei a refletir sobre aquela visão, será que eu devia a ter tirado dali, antes que seu corpo fosse inteiro invadido por bichos? Ou será que eu não devia realmente interferir? Estes foram apenas os primeiros, dos milhares de pensamentos que tomaram conta da minha cabeça no decorrer daquele dia. Se a formigas estavam ali comendo o que restava dela, é porque na verdade isto fazia parte da natureza, sou capaz de entender isso e aceito, mas por que tem que ser tão triste. Se esta é a lei da natural das coisas, por que não apenas aceitamos e pronto? Eu não queria ser poupada da morte daquela pomba, mas me senti tão íntima de sua pobre existência que até parecia que eu a conhecia. Tive vontade de ter podido pelo menos uma vez a ter visto voar, apreciar por um segundo pelo menos, o abrir e fechar de suas asas.

Quando cheguei em casa não quis ver ninguém, a minha tristeza era tão grande, que nem mesmo sei dizer porque. Como a morte de uma simples pomba poderia me deixar tão abalada, comecei a chorar muito e incessantemente, até cair no sono.

Quando saí de casa na manhã seguinte resolvi pegar outro caminho, não queria mais saber o que poderia ter acontecido com a pomba, cheguei ao trabalho, fiz minhas tarefas diárias como sempre e fui embora e repeti o mesmo processo nos dias que se decorreram.
Hoje cheguei em casa no fim da tarde como de costume, abri a porta da sala e vi que minha mãe estava falando com alguém ao telefone, isso me fez lembrar que não havia retornado uma ligação que uma amiga me fizera dias antes, retornaria então quando minha mãe terminasse de falar. Quando ela desligou o telefone, percebi que algo estava estranho, a face de minha mãe estava tomada por um espanto que me deixou intrigada. Perguntei a ela o que havia ocorrido e ela me pediu pra sentar.
A pessoa do outro lado da linha era justamente a mãe de minha amiga.
E o que minha mãe me contou na sequência me fez compreender o que antes não fazia sentido. Infelizmente era tarde demais para retornar a ligação, era tarde demais para fazer qualquer coisa. 
Eu só posso me lembrar de milhares de momentos que vivemos juntas, me lamentar e até mesmo chorar. Mas eu preciso continuar a percorrer meu próprio caminho, porque a natureza segue, e por mais injusto que possa parecer, não podemos interferir.

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