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sábado, 20 de outubro de 2012

De volta


Não poderia argumentar nem mais nem melhor, nunca foi bem em dar desculpas, não soube criar uma situação. Poderia dizer tudo o que sentia sem rodeios, ou entregar-se, e depois voltar atrás caso fosse preciso. Mas em seu rosto aquela sinceridade que a pouco enxergava-se, já confundia-se ao medo que lhe tomava, pois temia amar e entregar-se novamente. As coisas não eram como antes, necessitava de uma tal segurança que naquele momento deveria vir de fora. 
Se aquela pessoa, na qual toda sua confiança e dedicação fora confiada, se ela não estava certa do que sentia, então já não lhe cabia ali permanecer. Nunca fora tão confiante quanto a sua capacidade em despertar no outro qualquer afeição. Aquele caso sempre fora tão estranho pra si, e manteve-se um tanto solta, um tanto presa ao fato de que tudo poderia dar errado.
E não era somente neste sentido em que sua autoconfiança era falha, não lhe surpreendia não ser eleita em qualquer que fosse a disputa, não conhecia a palavra ganhar, sentia-se um ser em fracasso a cada novo obstáculo, em uma vida que não havia pódio, e que a linha de chegada ficava muito longe de sua desistência. 
Naquele dia em particular, não poderia ser diferente, já que sabia que o que estava a sentir naqueles dias lhe traria de volta à vida que sempre teve. 
E tudo fora lhe devolvido na cara, e enquanto despedia-se daquela curta e deliciosa experiência de ser amada, já sentia em seu peito aquele vazio tão familiar e tão assustador.

quarta-feira, 28 de março de 2012

E nada



Voltemos ao início de tudo
Voltemos ao último resquício perdido
O que encontro, senão, nada?
Nem vento, nem sol, ou dia nublado
Nem caixas, nem dança, nem circo
Foi mágica, foi sonho, ou nem foi
Foram pensamentos aos montes, ou tudo verdade
Memórias, lembranças, invenção
Mentiras, compulsão, susto
Maior ou menor que a realidade
Exercício da solidão
Diversão de faz de conta
Tudo é, e não;
Aconteceu, e nada existe

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