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sexta-feira, 30 de abril de 2010

De um refúgio Nostálgico


Hoje em pleno trânsito, como sempre atrasada, com alguma preocupação na mente, e um sono rotineiro, me encontro em meio a uma lembrança de quando eu era criança. Bateu uma saudadezinha, confesso; de um tempo que já foi há tempos, estes em que minhas preocupações eram: se minha mãe ia reparar no vaso que eu tinha quebrado, se alguém na praia teria derrubado o meu castelo de areia e se quando eu voltasse da escola ainda ia dar tenho de assistir Anos Incríveis. Meus questionamentos eram: de onde vinham os bebês, se o mundo ia até onde eu enxergava e se os barcos caiam onde o mundo acabava.
Maldade eu nem sabia direito o que era, achava que em certo momento a gente escolhia a que lado pertencer, e não entrava na minha cabeça alguém querer ser do mal.
Naquela época eu achava a infância uma merda! “Não”, era a resposta para todas as perguntas. “Não pode”, “não faz isso”, “não mexe aí”, eram as frases que eu sempre ouvia.
Não menosprezo minhas limitações e preocupações da época, até porque geralmente me esqueço, e o que sobra são só os bons momentos, em eu tirava bons cochilos à tarde embrulhada por um edredom quentinho e cheio de mimos de mãe.
Aí quando o stress me invade, eu só tenho vontade de voltar naquele tempo, chegar em casa, sentar no chão e desenhar casinhas com chaminés, acompanhas de um sol sorrindo e nuvenzinhas contornadas de azul.
Provavelmente daqui alguns anos, é do tempo que vivo hoje que sentirei saudades, dessa época dos vinte e poucos anos em que as coisas ainda estão favoráveis esteticamente, a solteirice ainda é alguma vantagem, os meus amigos são os mais legais do mundo e a faculdade necessária para um sucesso profissional.
Por enquanto, eu acho a faculdade um porre, os meus amigos são normais, a solteirice é assustadora e minha estética não agrada.
O que eu desejo é que a vida me proporcione um olhar mais maduro diante dos problemas que eu tiver que enfrentar, que este fluxo da vida me leve pra um lugar seguro, e que não queira me esconder por mais que a vida seja muito mais difícil do que é hoje.
Eu sei, os momentos que vivemos parecem melhores vistos do futuro, é assim que geralmente funcionam as coisas, mas se eu puder mudar o rumo a partir de agora, eu sei que a primeira coisa a fazer é começar a tentar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Me joguei


Tá difícil de entender eu nem vou explicar
Nem vou perder o meu tempo em tentar
Fazer-te compreender
Perceber
Que deveria ter se importado
Pelo menos um pouco, pensado
Deixar acontecer
Envolver
Eu me joguei
Do lugar mais alto e perigoso que busquei
Eu fui longe, tão longe que meus pés se cansaram
Eu fui alto, tão alto que perdi o ar
Não deu pra voltar
O caminho se perdeu
Culpada, sei, fui eu
Eu me perdi
Tive que pular, e ao pular, cai
Tive que aprender a ter coragem
Ao novo dei passagem
E eis que compreendi
Não devo insistir
Deixo que as coisas sejam
Não interrompo, deixo que aconteçam
Fácil? Não é
Um dia talvez, será
Só me resta esperar.

Esvazio


Mais um copo, menos um copo
De dentro pra fora, de fora pra dentro
Esvaziei mais um, me preenchi um pouco mais
Peço outro então
A garrafa secou, meu copo encheu
Esvaziei o copo, enchi minha boca
Esvaziei minha boca, me enchi
Estou farta, preciso esvaziar
Mas o que me faz mal não sai
De dentro pra fora mais uma vez
E o que está dentro não sai
Por que bebi então?
Se eu soubesse...
Minha dor não passa
Outra dor mais forte vem
Eu choro
Esvazio um pouco mais, mas ainda estou cheia
Dormi
Acordei agora, minha cabeça dói, meus olhos estão inchados
O cheiro do álcool continua em mim
A dor continua
O pensamento ainda me pesa
Liguei
Falei
Gritei alto pelo telefone
Fui até lá, bati na porta
Atendeu
Gritei mais
Ouvi
Chorei
Fui embora
Prometi não voltar
No bar:
Mais um copo, menos um copo

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