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Apartamento 22 ou morar num abraço

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O mundo girando na cabeça daquele cara de jaqueta azul, dançando músicas alternativas sob efeito alcoólico. Seu colarinho evidenciando um cheiro de uísque, misturado com Marlboro de filtro vermelho e outras bebidas baratas. Pra ele aquela era mais uma noite em que tentava não ser um solitário qualquer dentro de um apartamento qualquer de número 22. Seria mais uma noite em que ele chegaria numa mulher não muito bonita e nem muito feia, com a intenção de levá-la pra casa pra acordar na manhã seguinte ao seu lado e apreciá-la dormindo como se fosse sua namorada. Só contemplá-la por 5 minutos até então ela sentir que está sendo observada e acordar assustada como de um de um sonho ruim. A mesma cena, semanas após semanas, e a cada vez mais um gosto descartável em seu paladar. Ele procurava uma mulher com a qual pudesse repetir a cena da manhã, e não assustá-la. Procurava algum detalhe que o fizesse reconhecê-la, talvez seu cheiro, um perfume de flor de lótus, um cílio caído no ...

Vontades

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Sentia necessidade de escrever algo, mas estava sem inspiração. Começou com palavras soltas, e terminou com uma carta de suicídio. A vontade, matou; a carta; na primeira gaveta da escrivaninha.

De volta

Não poderia argumentar nem mais nem melhor, nunca foi bem em dar desculpas, não soube criar uma situação.  Poderia dizer tudo o que sentia sem rodeios, ou entregar-se, e depois voltar atrás caso fosse preciso.  Mas em seu rosto aquela sinceridade que a pouco enxergava-se, já confundia-se ao medo que lhe tomava, pois temia amar e entregar-se novamente.  As coisas não eram como antes, necessitava de uma tal segurança que naquele momento deveria vir de fora.  Se aquela pessoa, na qual toda sua confiança e dedicação fora confiada, se ela não estava certa do que sentia, então já não lhe cabia ali permanecer.  Nunca fora tão confiante quanto a sua capacidade em despertar no outro qualquer afeição. Aquele caso sempre fora tão estranho pra si, e manteve-se um tanto solta, um tanto presa ao fato de que tudo poderia dar errado. E não era somente neste sentido em que sua autoconfiança era falha, não lhe surpreendia não ser eleita em qualquer que fosse a disputa, não conh...

E nada

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Voltemos ao início de tudo Voltemos ao último resquício perdido O que encontro, senão, nada? Nem vento, nem sol, ou dia nublado Nem caixas, nem dança, nem circo Foi mágica, foi sonho, ou nem foi Foram pensamentos aos montes, ou tudo verdade Memórias, lembranças, invenção Mentiras, compulsão, susto Maior ou menor que a realidade Exercício da solidão Diversão de faz de conta Tudo é, e não; Aconteceu, e nada existe

Último...

Esses dias folheando a agenda eu me lembrei de você com certa nostalgia. É estranho sentir saudades de algo tão recente, mas é que eu sei que você nunca mais vai voltar, eu não vou poder te trombar por aí na rua qualquer dia desses, então, é adeus! Eu não sei se você foi o melhor na minha vida, não sei se de fato te dei o valor que você merecia, mas de qualquer forma o problema não é você, sou eu... Mas olha seu lindo, cada dia com você teve seu valor, e eu não vivi cada um deles como se fosse o último (assim como foi orientado nas correntes de PowerPoint), mas eu vivi, pronto, e no final das contas foi especial, foi bom pra mim “e foi bom pra você?”.   Eu posso não me lembrar de todos os momentos com você, afinal foram 365 dias juntos, “caramba eu não tenho memória de elefante, ok? e pra ser franca você foi o meu 25º” #prontofalei. Mas vou me lembrar de você, (provavelmente vou te misturar com os outros) como algo bom pra mim, e guardarei os melhores momentos na minha memória, ou ...

Comece pelo quarto

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Sentir que é preciso mudar... Pessoas desorganizadas (assim como eu) podem utilizar uma válvula de escape útil nessas horas; começar pelo próprio quarto, ou pra aqueles que moram sozinho; arrumar a casa, ou se você é muito organizado; inventar outra ordem pra tudo. Juntar as roupas que não usa mais e doar pra alguém; organizar a mesa do computador, jogar fora os post-its velhos, as canetas sem carga, os comprovantes de mercado, varrer os quatro cantos (ou quantos tiver), tirar os sapatos debaixo da cama, tirar o pó de cima do armário, organizar os livros por ordem alfabética (ou lidos e não lidos, ou cor); lavar os bichinhos de pelúcia ou quem sabe doá-los junto com as roupas, trocar os lençóis sujos por limpos, as fotos do mural por novas, acrescentar pessoas (ou o contrário também, se for preciso). Lavar os tênis, tirar os comprovantes de débito da bolsa e dos bolsos das calças, os papéis de bala, os panfletos de dentista, de convênio, de cursos de informática (aqueles que você receb...

Saul Steinberg - As aventuras da linha

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Hoje farei um post um pouco diferente, trata-se de uma dica cultural pra quem estiver em São Paulo. No último Sábado fui conferir a exposição, As aventuras da linha do artista gráfico, Saul Steinberg que está sendo apresentada na Pinacoteca. A exposição traz cerca de 110 desenhos do artista, que foram produzidas entre 1940 e 1950, entre eles há desenhos de 3, 5 e 7 metros e “A linha” com 10 metros de largura. Os trabalhos de Steinberg são realmente incríveis, e entre seus cowboys, monumentos e mulheres em casacos de pele o artista revela seu humor e inteligência na maneira de enxergar e representar as situações cotidianas com um traço marcante.  Pra quem tiver interesse, a exposição ficará na Pinacoteca até o dia 6 de novembro. Fonte:  http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?=exposicoes&idexp=564&mn=100